TROVADOR DAS ALTEROSAS
PROSA E VERSO
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos

Prosopopeia X X V I

 

 

 

“Dúvidas de Riobaldo”

 

 

Aí de ti Riobaldo por sofrer tanto assim...

Vai Riobaldo declare-se à sua Diadorin.

 

Impossível, pois sempre foi tão irascível,

Incoercível vestida de homem é sofrível.

 

Bem me quer as pétalas do mal me quer

Vem se me quer, seu cheiro é de mulher.

 

Traço do rosto, delicado  um desenho faço,

Abraço, corpo franzino, rígido como aço.

 

Flor, Diadorin perfeita todo feita de amor,

Dor... Diadorin é mau, Diadorin é matador.

 

Antonio ou Diadorin leva a um manicômio,

Demônio dá-me força contra este hormônio.

 

Reverbero sua luz me diz o que não é vero,

Espero e eu grito que amo, mas não quero.

 

Perdida, mulher por que é assim tão fingida?

Despida, linda dê-me a morte e lhe dê vida.

 

Morrer... Me mate para acabar o meu querer,

Dever, morro eu, pois, Diadorin precisa viver.

 

Calor me dê à nudez de uma Diadorin em flor,

Senhor, então me faça entender este meu amor.

 

 

 

 

Relendo grandes Sertões Veredas do mágico Guimarães Rosa fico imaginando as dúvidas e sofrimentos de Riobaldo tentando entender um sentimento louco e para ele sertanejo duro e afeito a todo tipo de sofrimento físico de repente se ver apaixonado por um soldado e companheiro de profissão vivendo uma paixão impossível. O jeito é fazer uma prosopopeia e desistir de conjeturar.

Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 23/09/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Comentários