TROVADOR DAS ALTEROSAS
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                                         Reedição III

 

                             "AQUELE SORRISO INFANTIL"

 

 

     É a única coisa que me lembro da infância, mas a recordação que mais marcou minha vida! Penso que tínhamos cinco ano, ”talvez menos”, lembro-me do seu rostinho pequeno de têz delicada, que se iluminava com o sorriso fácil sem timidez quando me olhava e eu devolvia o sorriso... Se no olhássemos cem vezes durante o dia, sorriamos, “os dois” cem vezes cada.Perdemo-nos um do outro, eu no mundo citadino, você na pujança da grande fazenda dos seus pais.

 

     Vimos-nos novamente aos dezesseis anos, num dia de festa. “Era o casamento da minha irmã mais velha”, me lembro de que comprara uma camisa de mangas compridas para assistir o acontecimento, acho que eu estava bem elegante. Você chegou nos olhamos e trocamos aquele sorriso puro outra vez. Você disse que minha roupa estava bonita, devolvi o sorriso agradeci e como se aquilo fizesse parte da nossa vida nos abraçamos e nos beijamos, um beijo grande longo e que representava toda a nossa saudade, apenas um beijo, tão doce como nossos sorrisos, um beijo sem palavras, sem culpa, só de sentimentos.

 

     A noite nossos caminhos se cruzaram novamente, o quarto onde ela ficou era afastado e ficamos tentando não fazer muito barulho, mas ninguém acordou e vivemos o que talvez poderia ter sido o que estava a nós predestinado, infelizmente nossa idade tão igual tavez tenha nos separado, enfim a vida é difícil ser entendida como deve, e ficou de bom tamanho. Talvez isto também estivesse certo, sonhar sempre um com o outro e não tentar entender.

 

     Perdemo-nos novamente, você tinha um namorado firme e iria se casar em breve. Eu estava no mundo, muito longe e quando regressei soube do casamento, não tive mágoas, mas me perguntei se você teve o mesmo sentimento que eu, aquela sensação que apertava meu peito e me dava à certeza de ter perdido um tesouro tão valioso e que me faria falta o resto da vida.

 

     Você se foi desta vida com trinta e quatro anos... Chorei sozinho num canto, pois não teria como explicar minhas lágrimas se alguém me visse. Todos estes anos depois da sua partida, aqueles momentos têm sido o meu refugio nas horas de desanimo. Quando me sinto triste procuro a visão daquele sorriso, a pureza daquele beijo e vou vivendo. Não me esqueço, e até hoje ainda acho que você foi a maior riqueza que perdi.

 

     Algum tempo longe de alguém sempre nos faz esquecer as feições da pessoa, mas você não! Está viva na minha mente como o mais doce das minhas lembranças. Tinha que escrever isto, embora acredite que é apenas para colocar as palavras no papel, tenho certeza que você sabia que também perdera algo por não saber como eu, a forma correta de tomar posse de algo que tínhamos certeza de nos pertencer, o que poderia ser...  Talvez as nossas almas gêmeas que tiveram a chance de ficarem unidas. Fica a pergunta:, haverá outra chance?

 

   

O gosto da Perereca

 

Tem gostinho suave meio salgado,

Nas dobras de carne bem suculenta...

Se a danada estiver meio passada,

Fica o cheiro forte, ninguém aguenta.

 

Mesmo assim eu como devagar,

Fui bobo e fiz esta grande besteira...

Agora não dá pra desperdiçar,

Vou consumindo tudo sem chieira.

 

Eu não quis comprar no supermercado,

Achei que fresco tem de ser caçado...

Fui para brejo e fiz toda a meleca.

 

Como saber... O bicho é diferençado.

Rã é iguaria de sabor afamado,

Nunca confunda com a perereca.





 

 

 

 

 

 

 

 

Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 31/07/2025
Alterado em 03/08/2025
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