TROVADOR DAS ALTEROSAS
PROSA E VERSO
Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Prêmios Livro de Visitas Contato Links
Textos
Cuidado Sansão que Dalila lhe trai
Cuidado Sansão
Que Dalila lhe trai!
Valdemiro Mendonça




- Ô Sansãozinho bonitinho do meu coração.


Conta para Dalila, de onde sua força vem?


- Aqui... Ocê me adiscurpa docinho de limão,


Donde ta minha força num conto a ninguém!


Se não contar eu faço um drama,


E pra começar:


Fora da minha cama!


- Ah Dalila deixa estar


Ocê num me ama...


Eu doido pra casar


Ocê me joga na lama.


- Ô Sansãozinho, docinho de coco com jirimum.


Se me ama, conta pra Dalilinha o seu segredo?


- Ocê vai perdoar eu não conto de jeito nenhum,


Nunca vou contar que é na unha do meu dedo!




- Ah Sansão idiota


Encheu o rabo de vinho,


Dormiu mais cedo


Amarrei você bobinho,


No meu enredo


Cortei bem no toquinho


A unha do seu dedo.


- Pronto arrebentei as cordas, oh Dalila traidora.


Eu que pensei que ocê me amava muié marváda,


- Ô Sansãozinho perdoa sua amante encantadora,


Só estava tentando saber se eu era mesmo amada.


Fala a verdade meu fortão


Como você fica fraco?


Conta para sua gostosa,


-Ô Dalila ocê enche o saco,


Eta muié tinhosa!




Tripa meio seca me amarrou viro um caco!


Êta vaca filisteia, cachorra, vadia, muié bandida!


Pensou que ia falar a verdade, deixar ocê me ferrar?


Ô Sansãozinho perdoa essa sua Dalilinha tão fingida.


É que eu quero saber o quanto você pode me amar.


Conta Sansão,


Como pode ser derrotado?


Conta meu gostosão


Meu bife mal passado.


- Êta danação!


Corda nova amarrou to lascado!




- Sansão, filho de um jumento com vaca marinha.


Você mentiu outra vez, meu amante insensível!-


Vai conta tudo, fala no ouvido da sua Dalilinha,


O que lhe dá essa força, que o faz tão invencível?


- Está certo vou contar,


  Ô desmazelo!


Quem quiser me derrotar,


É só cortar o meu cabelo!


De manhã ao acordar o pesadelo!




Amarrado, ele ouviu de Dalila a gargalhada,


-Força idiota, agora você é um mero ratinho!


Guardas, batam, cubram Sansão de pancada!


Socos, pontapés, furem os olhos devagarzinho.




O herói acabado, a prisão!


O ocaso do derrotado...


Mas sob a máscara da punição,


Esquecido cresce enrolado, o perdão.




Tempo de colheita de regozijo, tempo de festejar,


- tragam o prisioneiro, vamos zombar de Sansão.


Correntes nos pulsos e nas pilastras pra segurar!


Um grito, um terremoto, o fim com a destruição.


- Foge Dalila leve o pote


Cheio de prata;


E tudo o que ela comprou,


Vá Dalila tente a sorte;


Ele não mata,


A quem tanto amou.


Pedras que caem, gente que corre sem direção.


O medo da morte, a morte que chega e o terror.


Um grito de Dalila, a voz que implora proteção,


Morre junto ao herói, que morreu por seu amor.
   FIM
Trovador
Trovador das Alterosas
Enviado por Trovador das Alterosas em 30/03/2012
Comentários